A Cirurgia

Como é feita a cirurgia de abdominoplastia?

Primeiro, é preciso verificar a quantidade e a localização dos acúmulos de gordura. Normalmente, a cirurgia requer duas incisões:

- A primeira é horizontal na região logo acima dos pelos pubianos que se estende até a região lateral, levemente curvada para cima.

- A segunda incisão é feita ao redor do umbigo. Os excessos de pele da parte superior do abdômen são separados das partes profundas. Nesse momento os músculos abdominais são suturados para que se tornem mais rígidos, dependendo da necessidade. Esse procedimento irá proporcionar uma barriga mais plana e uma cintura mais definida. A pele em excesso é esticada para baixo e removida e é feito um orifício para recolocar o umbigo em sua posição de origem.

A extensão das incisões e a forma variam conforme o tipo de classificação do abdômen e a quantidade de pele a ser removida.

Após a cirurgia, são colocados drenos no abdômen, para evitar o acúmulo de líquidos. Os drenos são removidos na retirada do curativo e o paciente não sente grande desconforto.

Tipos de classificação do abdômen para abdominoplastia

As deformidades abdominais são realmente diferentes em cada indivíduo. A idade, genética, gestações e até condições de formação do abdômen no útero da mãe afetam diferentemente cada pessoa. Por esta razão, deve ser realizado um diagnóstico avaliando as deformidades específicas do paciente.

O diagnóstico irá levar em conta uma série de fatos na avaliação médica:

1. Se o paciente apresenta ou não excesso de pele;
2. Se apresenta excesso de pele, deve-se quantificar;
3. Deve-se quantificar o excesso de gordura abdominal;
4. Avalia-se a posição da musculatura e o grau de flacidez da parede abdominal.

1. Avaliando a existência de excesso de pele:

Se não houver excesso de pele, está indicada a lipoaspiração. No caso de haver um pequeno excesso de pele, seja pelo fato da paciente ter perdido peso ou por ter tido uma ou até duas gestações com pouco ganho ponderal, ou ainda, por apresentar flacidez cutânea causada pela idade, pode-se considerar a lipoaspiração de forma mais cautelosa. A lipoaspiração promove uma certa retração da pele pela fibrose que provoca na gordura, o que pode ajudar a corrigir o pequeno excesso de pele. Entretanto, a lipoaspiração excessiva na região abdominal pode levar a retrações e irregularidades na pele, portanto, nestes casos, deve-se realizar a lipoaspiração com cautela, mantendo-se alguma quantidade de gordura entre o músculo e a pele.

2. Quantificando o excesso de pele:

Na presença de um pouco mais de excesso de pele, deve-se quantificar este excesso e, a partir desta avaliação, promove-se o planejamento da retirada da pele. Descrevemos, no ano de 2001, em estudo publicado na revista americana científica Aesthetic Plastic Surgery, uma classificação baseada no excesso de pele. Descrevemos três tipos de deformidade com quatro tratamentos possíveis.

No caso de deformidades do tipo I (pouco excesso de pele), realizamos a remoção de uma pequena quantidade de pele da região da porção abaixo do umbigo e pode-se ou não reposicionar o umbigo um pouco mais abaixo, em pacientes que tenham o umbigo mais alto. Esta tática faz o corpo parecer mais longilíneo sem causar nenhum transtorno funcional à paciente pela mudança de posição do umbigo (Fig. 1).

1(Fig. 1)

No caso de deformidades do tipo II (moderado excesso de pele), pode-se realizar dois tipos de tratamento: fazer uma pequena incisão vertical próxima ao púbis (Fig. 2) ou realizar uma cicatriz um pouco mais alta em relação ao púbis (Fig. 3). A indicação de uma ou outra técnica irá depender da dificuldade que a paciente tem de manter o peso e de algumas características anatômicas individuais.

2(Fig. 2)

3(Fig. 3)

Já o tipo III (pacientes que apresentam grande excesso de pele) são tratadas com a remoção total da pele entre a cicatriz umbilical e os pelos pubianos na forma de um fuso (Fig. 4).

4(Fig. 4)

 Estudo publicado pelo Prof. Dr. Fabio Nahas em 2001 na revista americana científica Aesthetic Plastic Surgery, sobre classificação baseada no excesso de pele.

3. Quantificando o excesso de gordura abdominal:

O excesso de gordura pode ser tratado de várias formas. A mais utilizada é a lipoaspiração que deve ser realizada com parcimônia para manter o maior número de vasos íntegros no retalho para não interferir na cicatrização. Uma outra possibilidade é a remoção de uma lâmina de gordura realizada durante a cirurgia. Estes são procedimentos reservados a pacientes com um excesso maior de gordura abdominal.

4. Avaliando a flacidez da camada muscular do abdômen:

O tratamento da flacidez muscular do abdômen foi tema de minhas teses de Doutorado na Universidade de São Paulo (1997) e de Livre-Docência na Universidade Federal de São Paulo (2006). Descrevemos, no ano de 2001, um estudo publicado na revista americana científica Plastic and Reconstructive Surgery que classifica as deformidade do músculo da região do abdômen em quatro diferentes tipos.

O tipo A são pacientes que apresentam um afastamento dos músculos centrais do abdômen, decorrente de gestações anteriores e apresentam uma deformidade em forma de fuso vertical (Fig. 5). Nestes casos, o pregueamento dos músculos funciona bem, conforme estudos nossos publicados entre 1997 e 2011. Esta cirurgia aumenta a tensão da parede muscular do abdômen, contendo a pressão exercida pelos órgãos que empurram o abdômen para frente (formando a barriguinha que não melhora com exercício apenas).

5(Fig. 5)

As pacientes que apresentam deformidade do tipo B são aquelas que, após o pregueamento da musculatura realizado nas pacientes do tipo I, ainda apresentam flacidez da parede abdominal. Nestes casos são realizadas duas plicaturas (pregueamentos) na região lateral dos músculos do abdômen na forma da letra L e L invertido (Fig. 6). Nestes casos, além de aumentar a tensão da parede abdominal, ainda há uma melhora na região da cintura. Portanto, esta técnica pode ser planejada no pré operatório em pacientes que desejam uma cintura mais marcada.

6(Fig. 6)

As pacientes do tipo C são aquelas que apresentam uma inserção lateral dos músculo na região superior do abdômen (Fig. 7). Estas pacientes nasceram com esta alteração e apresentaram piora do aspecto após a gestação. Nestes casos, de acordo com outro estudo nosso de 2004, há grandes chances de que o tratamento realizado no tipo I não seja eficaz e a paciente volte a ter a parte superior do abdômen projetado após a cirurgia. Para evitar isso, realizamos o avanço dos músculos na região superior do abdômen. Desta forma diminui-se o risco de ter este problema após a cirurgia. As pacientes do tipo C são aquelas que desde a infância já apresentavam a parte superior do abdômen projetada e, por vezes, apresentam hérnia umbilical.

7(Fig. 7)

As pacientes do tipo D são pacientes que apresentam uma cintura muito pouco definida e têm uma boa musculatura. Neste caso pode-se avançar os músculos laterais para melhorar a definição da cintura (Fig. 8). O efeito desta cirurgia foi demonstrado em estudo anatômico realizado por nós em 2001.

8 (Fig. 8)

Anestesia

Na abdominoplastia, dependendo da área a ser tratada, a anestesia pode ser peridural com sedação ou anestesia geral.
Em geral, não é necessário mais que um dia de internação no hospital. Para procedimentos mais complexos, que envolvam a correção de grandes hérnias, pode-se prolongar um pouco mais o período de internação.

O tempo de duração da cirurgia pode variar muito, mas a maioria dos procedimentos dura entre duas e cinco horas. O tempo varia conforme a extensão do tratamento, quantidade de tecido a ser removido e o tipo de correção muscular necessária.

Prevenção de complicações em abdominoplastia

Embora raras, as complicações da cirurgia devem ser minimizadas. Nesta sessão, procuramos descrever algumas complicações relacionadas ao procedimento e suas prevenções. As principais complicações são:

1. Seroma – é a formação de líquido no abdômen após a cirurgia. Esta era a mais frequente complicação que ocorria em pacientes submetidos à cirurgia. No final dos anos 90 foi desenvolvida uma técnica de prevenção de seroma usando uma fixação com pontos na gordura. Fizemos um estudo de avaliação desta técnica e comprovamos a sua eficácia na prevenção da formação deste líquido em praticamente todos os casos. Esta técnica tem sido utilizada desde então na maioria de nossos pacientes com bons resultados.

2. Hematoma – é raro, mas a técnica anterior também é útil na prevenção desta complicação, por deixar menos espaço para a expansão do hematoma. Uma outra forma de prevenir esta complicação é o uso de medicamentos que inibem o vômito, onde temos reduzido para 3% o número de pacientes que apresentam os sintomas no pós-opertório (estudo realizado em 2004). O vômito faz com que os músculos abdominais contraiam, o que pode aumentar o risco de hematoma.

3. Infecção – pouco frequente em abdominoplastia, quando ocorre infecção, é geralmente pouco agressiva e tratável com antibióticos comuns. Sua prevenção é realizada com o uso de antibiótico profilático aplicado na cirurgia, além de todos os cuidados para evitar a contaminação local durante o procedimento.

4. Necrose de pele – é a falta de irrigação sanguínea na pele. É muito rara, mas pode ocorrer com mais chance em fumantes e diabéticos. Existem algumas formas de diminuir o risco de necrose, como suspender o cigarro 15 dias antes da cirurgia e o uso de algumas técnicas durante a cirurgia, como evitar tensões exageradas na pele.

5. Retorno da flacidez muscular na região superior do abdômen – o uso de técnicas utilizando a classificação descrita de abdômen, reduz o risco desta complicação.

6. Embolia Pulmonar – felizmente rara, a embolia pulmonar está cada vez menos frequente pela disponibilidade de um arsenal de medidas e drogas que podem ser utilizadas após a cirurgia. Entre as medidas pode-se destacar o uso de meia elástica e massageador de panturrilhas intra-operatório. Os anticoagulantes dados no pós-operatório também têm sido muito úteis na prevenção desta complicação, quando bem indicados.

Fundamentação científica

Histórico da Linha de Pesquisa (série de estudos sobre um tema específico) em Cirurgia Plástica da Parede Abdominal:

Esta linha de pesquisa foi desenvolvida com a finalidade de melhorar a técnica e a compreensão dos vários aspectos da abdominoplastia. Desde o uso de cinta, perfil psicológico, nutricional, respiratório, de técnica cirúrgica, da drenagem linfática e a prevenção de complicações foram estudados. Várias respostas foram obtidas a partir destes estudos, o que impulsionou a evolução do conhecimento desta cirurgia e seus efeitos. Estes estudos foram iniciados em 1992, na Universidade do Alabama em Birmingham, onde fiz parte de minha formação como cirurgião plástico. São 75 publicações em periódicos sobre o tema, sendo a maioria em periódicos internacionais.

Se você se interessa por detalhes mais científicos dos estudos desenvolvidos pelo Prof. Dr. Fabio Nahas, clique aqui.

(11) 3052.1448 / (11) 5051.0982

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